O Minicurso Saber Ouvir é inspirado na experiência do "Samaritans" da Inglaterra (1953) e no CVV-Centro de Valorização da Vida, de São Paulo (1962), ambos membros do Befrienders Worldwide, organização internacional de oferta voluntária de amizade e prevenção do suicídio.
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A mente humana e sua principais vivências em equilíbrio.
O desequilíbrio atual das nossas vivência em função da nossos hábitos sociais.
Os efeitos atuais mais comuns do nosso desequilíbrio.
Com quem devemos conversar diante de uma situação de desequilíbrio? Indivíduos e problemas são diferentes de nós e entre si. Já as pessoas são absolutamente iguais na sua essência, que são os sentimentos e emoções. Sem perder o foco da relação de ajuda, devemos ouvir e conversar com a "pessoa", sempre sobre os sentimentos.
O hábito de ouvir precisa ser constante cultivado e exercitado, para evitar os discursos defensivos dos conselhos e opiniões superficiais. Não somo profissionais de ajuda. Somo pessoas comuns. Mesmo assim, é possível ajudar e aliar o sofrimento vivencial.
Não temos condições nem o poder de resolver problemas. Nosso foco principal é sempre a pessoa e seus sentimentos.
Clima de ameaça zero e aceitação plena. Quando acolhemos, deixamos às pessoas numa posição tranqüila e confortável, causando um alívio nas suas tensões, medos e nas suas dores.
Não julgar e nem condenar. Todos temos valores e visões de mundo diferentes, mas a tolerância e o respeito pode nos ajudar muito a aceitar as coisas que não concordamos e não podemos modificar. Aceitar não significa que devemos concordar e aprovar, mas apenas reconhecer as diferenças e a diversidade.
Muitas vezes em uma conversa surgem momentos que cessam os assuntos e os barulhos externos, porém dentro de cada um existem e persistem os barulhos internos. Nesses momentos refletimos sobre as coisas, recapitulamos nossos passos, remoemos nossas ações, limitações e buscamos respostas que estão somente dentro de nós. É o tempo íntimo de cada um, que precisa ser aguardado e respeitado. Permaneçamos também em silêncio.
Ao compartilhar conosco suas impressões, seus sentimentos e eventualmente os seus segredos e particularidades, as pessoas contam naturalmente com o nosso respeito e sigilo.
Todo ser humano na sua essência transformadora tem um sentido positivo que o faz refletir e questionar sua condição e as coisas que se passam no seu entorno. Ele tem a capacidade de entender e resolver suas próprias dificuldades. Quando essas dificuldades parecem ser insuperáveis, ainda assim, ele pode desenvolver a capacidade de aprender a conviver com elas, sem comprometer sua vida e seus compromissos. Estar ao lado dele e com ele nesses momentos é altamente confortante e de grande auxílio, sem nos preocuparmos somente em oferecer soluções, porque elas não existem como modelos prontos e sim algo que é construído na experiência de cada um.
ESCUTAR O OUTRO É TAMBÉM SE OUVIR
Aconselhamento diretivo é uma prova de que não nos sintonizamos com o universo íntimo das pessoas que querermos ajudar.
Ao questionarmos o que se passa com o outro, já damos um sinal de que podemos ajudar sem ameaça ou qualquer expectativa condicional de mudança. As pessoas só mudam quando elas querem mudar e isso deve ser sempre levando em conta na oferta e ação de ajuda.
Falar menos e ouvir mais é uma ótima indicação de que a nossa ajuda pode ser importante e decisiva na harmonização de quem, de alguma forma, nos pede socorro. Observe os sentimentos que estão escondidos nas palavras e deixe fluir naturalmente a conversa e as impressões mútuas.
Poucos minutos de uma conversa e até mesmo alguns segundos de uma troca compreensiva de olhares, dá uma outra dimensão tempo e duração das coisas. É uma conexão natural e transformadora, embora quase imperceptível.
O SEGREDO DA ESCUTA
RUBEN ALVES.
O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa 5 que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.
Vou agora lhe revelar o segredo da escuta.
Quando era iniciante na arte da psicanálise, tratava de prestar a maior atenção naquilo que o cliente me estava dizendo. Levou tempo para que eu percebesse que quem presta muita atenção no que é dito não consegue escutar o essencial. O essencial se encontra fora das palavras. Fernando Pessoa, essa distração dos deuses, sabia disso e escreveu. Está num poema que ele dirigiu a um poeta. O poeta é um falador. Constrói objetos com palavras. A esse poeta, cujo negócio é falar, ele diz:
Cessa o teu canto.
Cessa, porque enquanto
O ouvi, ouvia
Uma outra voz
Como que vindo nos interstícios