ONG ALfa-Ômega: conversa com jovens sobreviventes sobre personagens e situações narradas no livro.
As atividades nas duas escolas citadas, por meio de palestras e rodas, foram seguidas de novas ações como a ocupação de espaços sociais através de eventos de sensibilização da opinião pública. Iniciamos gradualmente nesses espaços escolares citados a capacitação de jovens para acolher e ajudar outros jovens por meio de conversas de ajuda, de forma simples e amiga, sem pretensões de aconselhamento. Visitas a museus e galerias de arte também fez parte dessa estratégia de iniciação ao tema da prevenção do suicídio. Era uma adaptação escolar do PSV- Programa de Seleção de Voluntários do CVV. Foi criado também o “Minicurso Saber Ouvir”, ministrado pelos voluntários educadores a pequenos grupos de estudantes com a intenção de transformá-los em agentes multiplicadores. Jovens ensinando aos jovens as primeiras noções de prevenção do suicídio. Para a surpresa dos educadores, assuntos complexos e procedimentos de difícil assimilação comportamental – no campo da abordagem e experiência de prevenção entre os adultos - foram rapidamente compreendidos e aplicados pelos jovens. Experiências didáticas que levavam até oito semanas para serem transmitidas aos voluntários do CVV passaram a ser expostas aos jovens em apenas alguns minutos, simplificadas em slides que eles mesmos passaram a interpretar e explicar com suas próprias vivências. Os jovens atuam sozinhos, duplas ou em grupo, para expor ideias e conceitos sobre oferta de amizade e prevenção do suicídio. Realizam também as rodas de conversa, com regras específicas para exploração e reflexão sobre seus sentimentos e emoções.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP)- com 250 mil professores e mais de 4 milhões de alunos- registrou novamente a experiência do Programa Estação Amizade no evento Setembro Amarelo, no módulo “Boas Práticas”, selecionado entre 5.200 escolas da rede pública estadual. Neste evento o relato foi feito pelos educadores da EE Margarida Pinho Rodrigues e disponibilizado na Biblioteca de Vídeos Rede do Saber e no Youtube. Em 2019 a SEDUC-SP aderiu à Campanha do Setembro Amarelo incorporando ao seu projeto educacional permanente os eventos de conscientização e um projeto denominado “Percurso Formativo Valorização da Vida: Considerações sobre o Suicídio”, que tem como foco subsidiar a rede de ensino para a reflexão sobre o suicídio com toda a comunidade escolar. No site da Escola de Formação dos Profissionais da Educação Paulo Renato de Souza foi disponibilizado um conjunto de materiais em 5 etapas, contendo 2 pautas formativas sobre as vulnerabilidades: os sinais de alerta, a prevenção e a posvenção do suicídio. Órgãos educacionais e municipais de várias regiões do Brasil também realizaram ações semelhantes gerando um aumento de demandas de colaboração do CVV aos seus respectivos projetos. Em 2020, em função do retorno escolar pós-pandemia, o CONVIVA, núcleo da SEDUC SP, incluiu no seu documento norteador o Minicurso Saber Ouvir, direcionando à 5.200 escolas da rede estadual de ensino.
Todas essas ações estão em sintonia com as práticas e diretrizes da Unicef, cuja principal estratégia é dar voz às crianças e adolescentes para garantir seus direitos de proteção à vida. Em 2020 este órgão da ONU empreendeu juntamente com o CAMP Rio Branco, de São Vicente, a formação remota de jovens multiplicadores por meio do Minicurso Saber Ouvir.
ADULTOS E JOVENS JUNTOS FALANDO DE PREVENÇÃO.
Apresentação do Minicurso Saber Ouvir no X Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio, em Ribeirão Preto.
O CVV foi pioneiro no atendimento de prevenção do suicídio no Brasil e também na realização de eventos de estudos e pesquisas sobre o tema, reunindo voluntários das cinco regiões do país. Os encontros foram sendo realizados sistematicamente de 1980, de forma fechada aos representantes de postos (Conselho Nacional) e, nos últimos dez anos, abertos ao público e convidados, por meio do Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio.
Em 2018, na reunião do Conselho Nacional e realização do X Simpósio Internacional, realizado em Ribeirão Preto, ocorreu um encontro inédito entre adultos e jovens para trocar experiências em prevenção. No ano anterior, no encontro realizado em Belo Horizonte, o programa Estação Amizade foi citado como tendência e ação experimental inspirada do CVV, porém a presença de jovens relatando presencialmente essa experiência pode ser considerada momento histórico da prevenção do suicídio. Essa participação foi solicitada meses antes durante um evento organizado em São Paulo para lançamento de vídeos gravados por atores sobre prevenção nas escolas.
Durante o evento a representante do Unicef, Joana Fontoura, reclamou da ausência de jovens, afirmando que eles deveriam estar presentes numa reunião pública realizada em nome deles. A professora Márcia Pansarini, diretora do CAMP Rio Branco, de São Vicente, pediu a fala e explicou que era intenção da entidade ter levado seu grupo de jovens que vinham sendo educados como multiplicadores do Minicurso Saber Ouvir, mas que não sabia se era permitida tal participação. A falha foi dos organizadores e, nessa ocasião, nós mesmos solicitamos pessoalmente aos membros do Conselho Diretor do CVV a participação desses jovens no Simpósio Internacional que seria realizado em setembro, no que fomos atendidos alguns dias depois. Essa resposta teve uma reação imediata de entusiasmo nesse pequeno grupo, que atuava na periferia de São Vicente, e que agora teria a oportunidade de mostrar seu trabalho para os voluntários do CVV e dezenas de convidados de outros segmentos da rede nacional de prevenção. Foram escolhidos apenas quatro jovens, duas garotas e dois rapazes, para apresentar o minicurso e fazer seus relatos de experiência de sofrimento emocional e psíquico. A presença deles diante de um auditório de adultos, sobretudo de voluntários, foi emocionante porque os conteúdos do minicurso inspirado nos processos seletivos do CVV são considerados complexos e de difícil assimilação pelos adultos e, pela ótica e espontaneidade dos jovens, pareceu uma abordagem muito simples e acessível, nunca experimentada nos postos.
Essa transposição didática simplificada da experiência do CVV para o universo adolescente retornou para os voluntários por meio dos mesmos adolescentes como solução prática de uma dificuldade que vinha sendo tentada há muitos anos. O que poucos sabem é que o minicurso foi fruto de um desafio feito ao CAMP Rio Branco para participar de uma exposição tecnológica organizada pelas secretarias de prefeitura de São Vicente. Sem condições de apresentar algo radicalmente técnico, encontramos uma brecha quando lembramos que o minicurso havia sido desenvolvido também , em duas escolas, como treinamento de capacitação profissionalizante, como desenvoltura e sensibilização pessoal. Numa dessas escolas, no caso o CAMP Rio Branco, foi com a intenção de tranquilizar jovens que atuavam no atendimento ao público e que se sentiam ameaçados com a agressividade da clientela em estabelecimento da prefeitura, onde atuam como aprendizes.
Diante desses fatos, propusemos o minicurso como tecnologia de relações humanas, uma solução prática para uma necessidade funcional de atendimento acolhedor, compreensivo e humanitário. Outro detalhe: nem todos os jovens que participam do minicurso atuam como multiplicadores didáticos, porém se beneficiam dos conteúdos educativos para aliviar suas dores e compreender melhor as dificuldades emocionais em que se encontram. Ao exporem os passos básicos da escuta, os jovens estilam a plateias de adolescentes a falar sobre solidão, ansiedade, pânico, paralisia do sono e depressão. Falam também nesses rápidos encontros de 40 a 60 minutos sobre autolesão e ideação suicida.
Isso foi uma inovação desconhecida até pelo CVV, que fazia seus cursos de forma extensiva e cuja redução máxima de tempo alcançado foi de cinco dias. É claro que não foi desconsiderado o fator amadurecimento dos conceitos e práticas desses conteúdos, porém, em se tratando de jovens e educadores sem nenhum conhecimento em prevenção, este experimento foi revolucionário. Mesmo porque os conceitos abordados não são para serem pensados e discutidos como ideias, e sim como sentimentos e emoções. Esse é o diferencial da experiência do CVV cuja essência foi mantida no minicurso saber ouvir. Essa também foi a essência do encontro entre voluntários adultos e voluntários jovens ocorrido no Simpósio de Ribeirão Preto. Uma experiência inesquecível para as duas pontas da faixa etária da prevenção.
PREVENÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR
Os serviços de prevenção tradicionais sempre receberam pedido de ajuda de crianças e adolescentes compartilhando seus sofrimentos morais e psíquicos. A atenção dada a eles nunca foi diferenciada, mesmo nos casos de denúncias de violência e abusos, como acontece também com os adultos. Entretanto, com o aumento dos casos de suicídio nessa faixa etária e a desinformação sobre como lidar com situações de risco, alguns grupos de prevenção- também surgidos nesse contexto- passaram a optar pela criação de estratégias específicas para atrair e dialogar com esse público.
Sabendo da gravidade do problema e dos exemplos de países onde a situação tornou-se alarmante, algumas instituições que lidam diretamente com crianças e adolescentes tomaram posições corajosas de enfrentamento, adotando de forma aberta todas as formas acessíveis de prevenção. Outras preferiram preservar-se e recusaram qualquer tipo de envolvimento, optando pela transferência de responsabilidade para os segmentos profissionais. Ao optar pelo enfrentamento, as primeiras buscaram experiências alternativas ou criaram elas mesmas ferramentas informais de aproximação e diálogo por meio da arte, das campanhas educativas e de solidariedade, bem como de protagonismo juvenil na prevenção. Neste último caso a ideia era substituir os especialistas e educadores na realização de palestras informativas tradicionais pela ação protagonista do público-alvo, propondo que os mesmos se apropriassem de forma mais direta do tema.
Em outras palavras, o primeiro grupo reforçava o tabu, mesmo não tendo essa intenção; e o segundo enfrentava esse obstáculo com medidas educativas de aproximação e acolhimento. Algum tempo depois o segundo grupo cresceu em relação ao primeiro e até influiu na mudança de comportamento e ações dos que permaneciam em posição defensiva e de desconfiança. Em alguns países os próprios adolescentes passaram a organizar núcleos de encontro virtual e presencial para discutir e buscar rumos diante da perda constante de colegas por suicídio. As escolas aos poucos foram mudando sua postura dogmática de medo e tabu e passam a empreender ações preventivas estimuladas por movimentos de mobilização educativa como o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção, e a data do 10 de Setembro como Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Em várias cidades do mundo torna-se comum ver na arte de rua e performances em espaços alternativos grupos de jovens comunicando e reivindicando providências e a quebra de preconceitos que reforçam o tabu do suicídio e das situações de sofrimento mental que incomodam as novas gerações.
As escolas atuais ainda são caracterizadas pela cultura industrial do século passado, tendo toda sua estrutura funcional criada nos modelos das fábricas e organizações burocráticas. É um sistema criado e desenvolvido para lidar com massas nas quais as salas possuem fileiras de carteiras sob a regência de um disciplinador. É claro que os educadores e educandos sempre dão um jeito de transgredir essas regras rígidas fazendo adaptações criativas para dar mais vivacidade no convívio e na aprendizagem. Entretanto, essas ações são sempre exceções de pouca duração e logo as coisas voltam ao normal. Essas intervenções diferenciadas é que permitem fazer novas experiências, implementar novos conceitos e provocar mudanças de comportamento.
Os educadores definem essas experiências como ensino “transversal”, momento e oportunidade em que há uma quebra do processo convencional e rotineiro. E o professor é sempre uma figura estratégica para operar as mudanças, seja de forma lenta, gradual ou acelerada, dependo da necessidade do momento. A persistência no transversal deve ser permanente, pois ainda estamos em fase de transição. As faixas etárias estudantis vivem num ritmo de tempo barulhento e veloz, que é a dinâmica do ciclo biológico do corpo físico e a extroversão dos sentidos. A educação tradicional vê essa característica como um problema disciplinar, que precisa ser contido e até reprimido para não prejudicar a absorção de conteúdos. Nesse sentido há resultados de controle, mas, por outro lado, ocorre a inibição, o deslocamento e adiamento das experiências emocionais.
A educação atual entende de forma mais ampla que os dois aspectos podem e devem ser considerados como oportunidade de aprendizagem e mudança positiva de comportamento. Razão e emoção não são coisas incompatíveis e fazem parte da natureza humana. A hipervalorização racional da educação e do trabalho e a desvalorização dos sentimentos e emoções foram apenas uma tendência contextual e não uma marca natural da experiência humana. As equações lógico-matemáticas ocuparam durante muitas décadas o centro dos processos de ensino-aprendizagem. Hoje as equações socioemocionais definem melhor o contexto e exigem novas formas de conviver e aprender. Isso leva a um questionamento sobre as prioridades de processos e conteúdos curriculares defasados e que precisam estar em sintonia com essa nova realidade. A saúde física já foi também o centro das atenções quando existiam todas as dificuldades de formação e manutenção de corpos sadios para ingressar no mercado de trabalho.
Hoje a saúde mental já é o novo centro das atenções, em função dos novos distúrbios que interferem de forma crescente na qualidade de vida das pessoas. Ansiedade, pânico, depressão e uma lista enorme de síndromes psicológicas interferem no cotidiano das pessoas em ritmo crescente. E as escolas continuam sendo o termômetro desses distúrbios sociais. Somente uma educação aberta, transversal e socioemocional pode dar conta dessas mudanças. Em meio à rotina escolar tornam-se cada vez mais necessárias as intervenções que possibilitam a compreensão das equações psicológicas e o alívio e cura do sofrimento psíquico. Todos se lembram do filme Sociedade dos Poetas Mortos no qual uma classe de uma escola preparatória dos anos 1960, de frequência masculina, expõe de forma trágica os sofrimentos de alguns personagens que destoam do conjunto, incluindo o professor interpretado por Robin Williams. O professor Keating era um transversor nato e foi punido por ter percebido e ajudado alunos tomados pela incerteza e pela angústia. Ali assistimos não somente a morte por suicídio do aluno Neil, mas também da sala de aula conteudista e exclusivamente lógica, frutos de uma educação que não dava respostas para as equações psicológicas.
O PROFESSOR TRANSVERSOR
Realmente a melhor imagem que guardamos do professor educador é a do protagonista John Keating. O fator socioemocional é camuflado pela aparente frieza da cultura anglo-saxônica, mas transpira em forma de situações conflituosas vividas pelos alunos, pais e educadores. O roteiro também deixa no ar um enorme ponto de interrogação sobre as questões da vida e do destino, especificamente sobre a morte. O professor Keating é também um excelente transversor, pois despreza a todo instante a rigidez curricular e abandona a sala de aula, como uma metáfora de que ela não existe mais, não é mais essencial, como são as igrejas e templos, e que hoje já aprendemos a construir e frequentar dentro de nós mesmos. Pretexto para atingir a introspecção, esse abandono da sala levaria a muitos outros caminhos que esse filme maravilhoso narra do começo ao fim. Um desses caminhos é a incursão ao hall onde estão expostas as fotografias de turmas antigas. Ali, como num panteão em memória dos mortos, o silêncio se estabelece e Keating parte para o aliciamento espiritual dizendo que aqueles jovens das fotografias, cheios de energia e vitalidade, se transformaram em adubo para flores de sepulturas. Apesar do aparente discurso niilista, a intenção do professor era causar um impacto na mente dos alunos e deslocá-los para o sentido metafísico da vida. Sua proposta de “Carpe diem” significava aproveitar a essência da vida e não o supérfluo e o banal.
Mas o grande acontecimento do filme é a desilusão e o suicídio do aluno Neil, fato que coloca o professor na difícil condição de Sócrates, acusado de corruptor da juventude e responsável pelo grave incidente. O pai rígido e autoritário e a mãe impotente e submissa sufocaram o talento artístico e o livre-arbítrio do filho. A existência de uma arma de fogo na casa deles consuma a tragédia. O fracasso da família e da Escola exige e elege um bode expiatório.
Keating é o escolhido, ingere a cicuta da traição, mas o seu trabalho transformador foi mais eficiente que o veneno da demissão, pois penetrou definitivamente nos corações dos alunos, mesmo dos covardes e traidores, que iriam carregar pelo resto de suas vidas a culpa de não terem sido leais, autênticos e corajosos. Eles não tiveram a coragem de subir nas mesas para se despedirem do Capitão e continuar olhando as coisas por outro ponto de vista.
NOSSO PLANETA, NOSSA ESCOLA
As escolas estão sofrendo as perturbações pelas quais está passando todo o planeta Terra. Por ser a síntese fiel e espelho da sociedade, elas funcionam como termômetro e vitrine de tudo o que acontece no mundo social. Nosso planeta é um organismo vivo, possui uma “Anima Mundi” e está passando por uma crise de mutação cíclica, tanto no aspecto ambiental exógeno, como na sua atmosfera psíquica, onde ocorre uma intensa luta entre forças renovadoras e forças reacionárias. Isso possui um reflexo negativo no plano social, em todas as instituições. As escolas são mais sensíveis a tais acontecimentos, por todas as características espirituais já apontadas, mas principalmente porque elas são um espaço natural de esperanças de vida e utopias de um mundo melhor. Se a vida social pode melhorar, essa possibilidade começa na escola. Essa crise de mutação planetária é muito complexa e aparentemente caótica, pois se misturam nos fatos geofísicos os elementos de uma confusão de valores, de avanços e retrocessos, vitórias e derrotas, equilíbrio e desequilíbrio, construção e destruição. Não sabemos quanto tempo tudo isso vai durar e quais os resultados dessas graves mudanças, pois nesse contexto tudo se torna instável e vulnerável. Estamos em tempo de revolução e não de reformas.
A função social da escola é muito ampla: trabalhamos incessantemente para que haja a adaptação e uma consequente progressão dos alunos diante das rápidas e atuais mudanças históricas.
Fazemos o papel de suporte científico e ao mesmo tempo moral, pois as transformações geram distúrbios emocionais e sofrimentos físicos nos alunos, professores e funcionários. A maioria dos pais não possui condições psicológicas, nem conhecimento para lidar com esses problemas e passa a depender da ajuda da escola, principalmente dos professores. Quando a rede física e a população escolar eram reduzidas, esse papel de substituir a família funcionava relativamente bem, apesar de alguns abusos de autoridade. Com a explosão demográfica, ocorrida no Brasil a partir da década de 1970, aumentou absurdamente o número de alunos nas salas de aula e ocorreu também uma mudança de mentalidade e de costumes. Com a democratização da escola, os pobres não puderam ser mais expulsos ou dispensados para o trabalho infantil. Os alunos indisciplinados e limitados não puderam ser mais punidos e reprovados. Essa quebra do antigo modelo autoritário estabeleceu um ambiente libertário nas escolas, porém gerou um relaxamento das relações de autoridade e dos papéis, sem a contrapartida de uma conscientização proporcional. Para compensar esse afrouxamento moral, adotou-se uma rigidez artificial, através da legislação educacional, acentuando-se a informação intelectual em prejuízo da formação moral.
Essa situação seria acelerada com a explosão tecnológica dos anos 1990 e que atualmente se delineia na desconstrução da sala de aula e dos métodos textuais planos, através da revolução digital do hipertexto. Toda essa situação tornou a escola cada vez mais vulnerável aos distúrbios planetários, exigindo dos educadores mais dedicação e melhor desempenho em suas funções, como já vinha acontecendo em alguns setores profissionais. Nas escolas públicas essas tecnologias são praticamente inacessíveis e, mesmo assim, essas escolas continuam sendo alvo de uma demanda em massa. Todos querem estar nas escolas, mesmo que muitos deles não saibam dar valor ao conhecimento e considerem a escola como um simples lugar de convívio social, como se fosse um clube. Buscam nelas alguma coisa diferente daquilo que não encontram em casa ou que julgam ser muito importante para mudar suas vidas. Em pesquisa diagnóstica feita habitualmente nas primeiras semanas de aula, sempre solicitamos aos alunos algumas opiniões e expectativas sobre a escola, a família, o mundo e o futuro. Esta foi feita há 15 anos. A maioria manifestava uma grande esperança na instituição escolar e no trabalho dos educadores, esperando que nós enfrentemos junto com eles as suas dificuldades. Os itens que mais apareceram nas expectativas, e que transparecem claramente como carências pessoais, são esses:
Professores que ensinem coisas para usar na vida, no mundo lá fora; diretores amigos e mais próximos; que a escola seja uma família e um lar para os alunos; mais amizade, companheirismo e menos violência; organização e limpeza; eventos: festas, comemorações, exposições, festivais, bailes; melhor qualidade na merenda; bom ensino dos professores; paciência com os alunos com dificuldades; que eles mesmos mudem de comportamento e se tornem bons alunos; que eles sofram cobranças por parte dos educadores; justiça e rigor nas avaliações, incluindo reprovações; faltas constantes dos professores ao trabalho; mais disciplina e controle das suas próprias ações; mais compreensão com o jeito de ser e a condição adolescente dos alunos.
Era um sinal evidente de que as coisas não estavam indo bem nas escolas porque havia uma grande defasagem entre o currículo tradicional e as necessidades dos alunos. Não se tratava apenas de oferecer ciência e tecnologia nas aulas, mas também a oportunidade de mudança de pontos de vista, de rumos e destinos. Existem muitos problemas e obstáculos nas escolas que a tecnologia e a ciência não conseguem detectar e atingir. São questões humanas imprevisíveis, que não podem ser antecipadas nos planejamentos e nos planos e de aula. Muitos desses obstáculos aparecem camuflados nessas opiniões e expectativas que citamos. Como sempre fomos um setor conservador, sacralizado e dogmático, demoramos mais para reconhecer os nossos limites e que também deveríamos sacudir a poeira dos escombros e reinventar a escola. Essa reinvenção, enquanto as coisas não mudam definitivamente, significa também a adoção de novos pontos de vista, a mudança do olhar para outros enfoques. Podemos “ser inteligentes como as serpentes, porém simples como as pombas”. É claro que esses novos olhares não representam a busca de soluções miraculosas e imediatistas. A escola somos nós e não o sistema escolar. Se não podemos mudar o sistema, podemos alterar a essência natural da escola, que são os nossos pontos de vista e os nossos sentimentos.
Certamente estamos vivendo um importante momento de crise. Todos querem saber onde vamos parar. Todos querem saber as causas e consequências desse desequilíbrio social no qual o Estado, a família e a escola não conseguem estabelecer um consenso sobre os rumos que devem ser tomados para reverter essa situação. Quando não há perspectiva para o futuro, também não há sentido para o presente, muito menos interesse pelas referências do passado. Um bom exemplo para refletir sobre essa situação caótica são as estatísticas de suicídio entre os estudantes. O suicídio é sempre um tabu, mesmo nas escolas, onde deveria ocorrer maior abertura para tratar do assunto. Um estudo da OMS - Organização Mundial da Saúde – publicado há mais de uma década, sobre esse grave problema social (hoje classificado como item crítico de saúde pública) e causou e ainda causa espanto não somente o conteúdo do estudo, mas principalmente o fato deste ter sido elaborado especialmente para os educadores e tratado com indiferença nas escolas. Não cremos que essa indiferença seja insensibilidade dos gestores e educadores, mas o receio de lidar com o desconhecido. Eis algumas anotações sobre a nossa leitura:
“No mundo inteiro, o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 19 anos. Em vários países ele fica como primeira ou segunda causa de morte entre meninos e meninas nessa mesma faixa etária. Sendo assim, a prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes é de alta prioridade.
Devido ao fato de em muitas regiões e países a maioria dos adolescentes dessa idade frequentarem a escola, este parece ser um excelente local para desenvolvermos a prevenção”.
“Atualmente, o suicídio entre crianças menores de 15 anos é incomum e raro até antes dos 12 anos. A maioria dos suicídios ocorre entre as crianças maiores de 14 anos, principalmente no início da adolescência.
Porém, em alguns países está ocorrendo um aumento alarmante nos suicídios entre crianças menores de 15 anos, bem como na faixa etária dos 15 aos 19 anos”.
“Os métodos de suicídio variam entre países. Em alguns países, por exemplo, o uso de pesticidas é um método comum de suicídio, contudo, em outros, intoxicação com medicamentos e gases liberados por carros e o uso de armas são mais frequentes. Meninos morrem muito mais de suicídio que as meninas; uma razão pode ser porque eles usam métodos violentos mais frequentemente que as meninas para cometer suicídio, como enforcamento, armas de fogo e explosivos. Entretanto, em alguns países o suicídio é mais frequente entre meninas entre 15 e 19 anos que entre meninos da mesma idade. Nas últimas décadas a proporção de meninas usando métodos violentos tem aumentado”.
“Reconhecer uma pessoa jovem em sofrimento, que precisa de ajuda, normalmente não é o problema.
Saber como reagir e responder frente a crianças e adolescentes suicidas é muito mais difícil. Alguns funcionários de escolas têm aprendido a lidar com o sofrimento e com os estudantes suicidas através da sensibilidade e do respeito, enquanto outros não. As habilidades deste último grupo devem ser aprimoradas. O equilíbrio a ser alcançado no contato com o estudante suicida está em algum ponto entre a distância e a proximidade, e entre empatia e respeito”.
Respeito e empatia não são técnicas profissionais especializadas da medicina ou da psicologia. São atitudes humanas comuns, de pessoa para pessoa. São posturas desprovidas de receio e preconceito, necessárias em qualquer relação interpessoal. Professores empáticos e respeitosos despertam a confiança nos alunos e estes, percebendo a disponibilidade natural e o interesse sincero pelas suas dificuldades, muitas vezes desistem de planos sinistros de autodestruição pelo suicídio ou destruição dos outros, pela violência homicida. Estar disponível para ouvir e compreender não significa assumir a responsabilidade de resolver os problemas dos outros. As pessoas que pedem ajuda têm consciência de que elas é que devem tomar decisões sobre seus problemas e quando buscam alguém para conversar, só querem compartilhar seus sentimentos. Não é preciso ter medo de lidar com essas situações-limite. Pior é se omitir, alegando despreparo.
MUDANDO O FOCO E O PERCURSO
Existe uma crença de que somente alguns segmentos da área de saúde são autossuficientes e exclusivos na abordagem e solução do problema do suicídio. Mito. O voluntariado como ação humanitária histórica da prevenção é prova disso. Se esta é uma questão existencial e um problema multifatorial e socialmente dinâmico, outros segmentos como a educação, a filosofia, a arte e a sociologia têm a mesma importância e função no estudo e prática da sua prevenção e tratamento. Nenhum segmento isoladamente têm sido eficiente o bastante para conhecer e conter o crescimento do suicídio e por isso participam de iniciativas conjuntas nesse sentido, como os planos nacionais de prevenção.
Muitos educadores, como outros segmentos, acreditam que não devem e não são capazes de atuar nesse campo, alegando despreparo. Mito também. A prevenção e solução do problema do suicídio é tarefa multifacetária e só enriquece quando tem a participação da diversidade de experiências humanas. A primeira e mais conhecida delas, como vimos, descobriu que a atuação colaborativa voluntária de pessoas comuns mudou radicalmente a abordagem em prevenção do suicídio. O simples ato de ouvir uma pessoa em meio a uma crise emocional, alivia o sofrimento psíquico e reverte o risco de suicídio.
Portanto, prevenção não se trata de disputa de conhecimento e exclusivismo de atuação de segmentos corporativos. A questão é humana e, num primeiro momento, deve contar com todas as ferramentas e recursos possíveis de ajuda e apoio.
Os planos coletivos de diversidade de abordagem de prevenção do suicídio têm reduzido sistematicamente os números do suicídio no mundo inteiro. No início da década de 2000 as estatísticas apontavam 1 milhão de ocorrências por ano. Depois da adoção dos planos nacionais os números baixaram para 850 mil.
Por outro lado, também houve mudanças circunstanciais preocupantes: as ocorrências entre criança e jovens aumentaram. Durante e depois da pandemia os números cresceram genericamente e houve aumento de casos de suicídio de meninas adolescentes. Isso implica novos estudos e ações emergenciais de abordagens preventivas. Uma dessas estratégias é permitir que os próprios jovens conversem entre si –pela escuta solidária – e se apoiem diante dos seus problemas e dificuldades. Não é uma prática muito convencional, mas pode ser colocada em prática em ambientes seguros e organizados. Outra descoberta e constatação de uma verdade antiga antes somente percebida e aceita entre adultos: jovens sobreviventes do suicídio, bem como todos que passam por transtornos emocionais, podem se beneficiar e tornar-se excelentes multiplicadores das ações preventivas. É um treinamento simples e eficiente, apesar das limitações naturais, que tem sido realizado experimentalmente em várias escolas e que pode resultar em mudanças positivas.
A experiência dos Samaritanos na Inglaterra tornou-se uma referência mundial exatamente porque rompeu esse paradigma de exclusividade de atuação; também porque descobriu e ampliou a prática da abordagem simples da escuta solidária, simples e muito próxima dos atendidos. Essa prática jamais seria possível num ambiente formal cujos procedimentos funcionais esbarram em muitos obstáculos de organização. A escuta solidária funciona melhor e cumpre o seu papel humano quando são deixadas de lado todas as formas de intervenção diretiva no comportamento de quem pede ajuda. A ideia salvacionista, por exemplo, é prejudicial à prevenção do suicídio porque é diretiva e quase nunca leva em consideração a capacidade de aprendizagem e autodirecionamento de quem está vivendo esse problema.
Esta foi a grande descoberta dos Samaritanos: abandonar o salvacionismo e não se preocupar com outras formas de intervenção que caracterizam o repúdio ao comportamento suicida e opção pelas fórmulas tradicionais de repressão de conduta e uso de remédios como única e possíveis soluções. Julgamento e condenação não combinam com prevenção, em hipótese alguma. Essa mentalidade salvacionista, diretiva e interventora já mudou muito, mas essa mudança ainda não é uma postura suficientemente aceitável em nossa cultura imediatista e pouco compreensiva. Prevenção do suicídio, como outras formas de prevenção, é um processo de mudança de comportamento. Portanto, é um assunto educativo que também não é monopólio e exclusividade dos educadores. Mesmo porque o ensino e a educação é a base de conhecimento e atuação de todos os segmentos sociais. Isso significa que prevenção é essencialmente educação. Todos os segmentos precisam passar por esse processo de mudança. As escolas são a base dessa pirâmide.
Mas a experiência de prevenção no universo da educação não fica restrita a abordagem isolada dos profissionais e dos voluntários. Atualmente existem experiências que vão além e desmistificam esse assunto. O crescimento do suicídio infantil e na adolescência em níveis assustadores levou alguns grupos a empreender ações preventivas ousadas e totalmente diferentes das tradicionais, quase sempre marcadas pelo medo e pelos preconceitos, incluindo o da exclusividade de abordagem. Crianças e jovens podem e devem fazer prevenção do suicídio entre seus pares e isso não depende da autorização e supervisão de adultos, quase sempre baseadas nos excessos de cuidados e fuga de responsabilidade. Essa prevenção é possível porque é essencialmente educativa, é humana e simples. Talvez isso assuste e incomode, mas é real o fato de que seres humanos, em situação de igualdade espontânea, se apoiem e até se curem de sofrimentos mentais que levariam um tempo inaceitável se fossem feitos pelas vias formais de atendimento. Prevenção deve ser uma prática que antecede a todos os tipos de abordagem. É uma obviedade que não tem sido respeitada porque nem todos os segmentos e pessoas têm interesse nessa prática e na aprendizagem da mesma. Resultado: adotam a negação ou a fuga, empurrando a responsabilidade para outras esferas. Escolas são ambientes naturais de prevenção. Alunos e professores, mesmo ignorando e não confiando em suas potencialidades educativas, podem ser ótimas ferramentas de prevenção nas escolas. A participação de outros segmentos nesse processo é um complemento, se necessário, da prevenção. Não podemos mais inverter essa ordem.

Bate-papo com jovens do campus da UNESP-São Vicente-SP em 2018. Pedido de ajuda e, como ferramenta social universitária, a formação espontânea de um coletivo de saúde emocional.
A maioria dos jovens em idade escolar, sobretudo das escolas públicas, não podem contar com os pais nesses processos de ajuda. Nas escolas privadas a participação dos pais muitas vezes também não é possível e a ajuda profissional próxima também não tem sido satisfatória. Recentemente uma onda de suicídios em uma reconhecida escola particular de São Paulo levou a direção a mudar de postura e também de rumo na busca de ajuda: procurou um dos fundadores do CVV para fazer uma palestra para pais e alunos. Como se vê, acertaram na atitude de mudar, mas continuaram errando na forma de abordagem. O convidado aceitou o convite, porém alertou: “Não entendo nada de suicídio e não vou falar sobre isso. Eu entendo de sofrimento. Sei como é o sofrimento pelo qual passa alguém que pensa em suicídio. Disso eu posso falar .” O recado foi dado e a palestra foi apenas pretexto e o primeiro passo de outras ações educativas imediatas e que, quase sempre, não são colocadas em prática. Uma escola que passa pela experiência de suicídio de alunos e que apenas convoca uma palestra para acalmar os ânimos e depois coloca o assunto na gaveta do esquecimento age com a mais absoluta falta de respeito à vida humana. Retrocede ao ponto zero e diz “não” para a prevenção. Uma escola que só fala e prevenção quando acontece uma fatalidade ou usa o Setembro Amarelo somente como evento de aparência visual e superficial também está voltando ao ponto zero e perpetuando a ignorância sobre esse tema.
TABÚ : QUEM DEVE MUDAR PRIMEIRO?
O suicídio continua sendo um tabu, assunto não recomendável e até proibido nas escolas. Por isso ainda é tabu em quase todos os lugares. Triste e lamentável, mas acontece não só com o suicídio, mas também com outros temas incômodos. Isso revela que o grande obstáculo da prevenção é a formação de educandos e educadores. Essa formação não pode mais acontecer com base nas diferenças sociais entre quem ensina e quem aprende. Entre quem manda e quem obedece. A postura dogmática, salvacionista, negacionista, autoritária e diretiva é desastrosa na prevenção. É repressão e imposição.
O caminho deve ser inverso e precisa ser aprendido e apropriado por alunos e professores. Não há diferença de papéis entre quem precisa de ajuda e quem pode e deve oferecer. O papel da igualdade deve ser sempre reforçado para que desapareça o papel da diferença, que o da formalidade e da distância entre as pessoas. Ouvir é o papel ideal do processo de ajuda: Aproximação, aceitação, compreensão e respeito são os pilares da abordagem preventiva. São as bases da prevenção e da proteção.
Não é uma tarefa fácil.
É uma aprendizagem que exige mudança de pensamento e comportamento.
Não é um processo apenas intelectual.
É uma mudança de postura e por isso causa ameaça e insegurança à primeira vista. Com a absorção de informações básicas e práticas simples, a mudança vai acontecendo naturalmente. O medo causador das posturas de rejeição, negação e antipatia vai sendo substituído gradualmente pela boa vontade, simpatia até atingir o necessário nível da empatia, que é se colocar no lugar do outro. Não é fácil, mas não é impossível. Se aproximar e ouvir quantas vezes for necessário. Aceitar em todas as situações. Compreender constantemente. Respeitar sempre.
EXPERIÊNCIAS NA PINACOTECA DE SP
Pelos espaços internos da Pinacoteca do Estado de São Paulo frequentemente encontramos grupos de jovens circulando pelos corredores observando os quadros, acompanhados por educadores. Uns em silêncio, outros com certa euforia; e ainda outros completamente indiferentes diante daquelas representações pictóricas em diversos estilos.
Em uma dessas excursões, um dos educadores passa por duas experiências curiosas e instigantes. Na primeira ele está fotografando uma pequena aula dada pela guia do museu aos seus alunos. Eles estão sentados no chão em frente à estátua da poetisa Francisca Júlia, obra monumental do escultor Victor Brecheret. Nem a guia nem os alunos se deram conta do significado dessa obra e de quem se tratava. Francisca Júlia havia se matado em 1920, no mesmo dia da morte do seu marido, causando uma grande comoção entre seus admiradores. A estátua havia sido feita originalmente como ornamento fúnebre e permaneceu por longos anos no túmulo da poetisa no Cemitério São Paulo, na capital paulista, até que fosse retirada, restaurada e colocada em destaque na Pinacoteca.
Num outro momento o mesmo educador se depara com um quadro aparentemente comum, pelo qual a maioria passa sem perceber seu conteúdo. Trata-se de um óleo sobre tela, relativamente grande e solitário na parede branca do museu. No pequeno cartão de identificação da obra lê-se nos dados técnicos e suas dimensões (97 X 185) e também seu título e autor: “Fim de romance”, Antônio Parreiras, 1912.
Vendo que o educador permanece estático por um longo tempo, alguns alunos se aproximam para interrogá-lo sobre o seu demorado interesse pela obra. Ele se vira e não diz nada, apenas convida com os olhos para que seus alunos observem a pintura e cheguem à suas próprias conclusões.
Somente após perceberem alguns detalhes é que são tomados de certo espanto e manifestam, surpresos, suas opiniões sobre o que viram.
Ali nasce com o professor e os alunos uma pequena roda de conversa sobre o que se passou e como deve ter sido o turbilhão de emoções que tomou daquele personagem retratado.